>>Etanol: reconhecimento dos EUA impulsionará embarques no médio prazo
publicado em 20/05/2009

Etanol: reconhecimento dos EUA impulsionará embarques no médio prazo

O reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, do etanol de cana-de-açúcar como biocombustível avançado deverá abrir caminho para o incremento das exportações nacionais para esse destino e até mesmo para outros países que questionavam a qualificação do produto nacional. Porém, isso deverá ocorrer no médio prazo, dado que a tarifação das compras do Brasil permanece. Adicionalmente, espera-se que a certificação facilite a adoção do álcool brasileiro (tanto o anidro como o hidratado) como padrão e, consequemente, ocorra sua commoditização.

A classificação do etanol brasileiro por parte das autoridades norte-americanas aconteceu por conta da constatação de que o produto reduz em 44% a emissão de poluentes em relação à gasolina, ao passo que, no álcool do local, produzido partir do milho, a redução é de apenas 16%. O conceito de “biocombustível avançado” é atribuído àqueles que diminuem em pelo menos 50% as emissões de poluentes, com tolerância de dez pontos porcentuais.

Pela nova diretriz dos Estados Unidos, haverá cotas para importações de biocombustíveis avançados, no total de 2,2 bilhões de litros neste ano, chegando a 20 bilhões de litros em 2020. Vale lembrar que, em 2008, o país foi o maior importador do etanol brasileiro, com volume equivalente a 30,3% do total exportado pelo Brasil, ou 1,55 bilhão de litros – desconsiderando-se ainda o volume que entra no território norte-americano pelo Caribe.

Um dos principais entrave a uma maior sustentação de preços do etanol combustíveis no Brasil é a inexistência de um mercado internacional consolidado, apto a assimilar a parcela excedente da produção não absorvida pelo mercado doméstico. Apesar de o peso das exportações de álcool ser bem inferior à média de outros produtos do agronegócio nacional, como o açúcar, as vendas externas são relevantes no sentido de equilibrar a oferta e a demanda doméstica.

Nesse sentido, um dos maiores problemas, reside na proteção excessiva (via tarifas de importação, na maioria dos casos) imposta por grande número de países. Isto surge da necessidade de impor, localmente, consumos mandatórios de biocombustíveis, visando o cumprimento das metas estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto ou até mesmo de metas internas de “despoluição”, que implicam consumo de combustíveis renováveis, muitas vezes de custo superior ao de seus pares fósseis. Fica mais fácil quando a imposição deste consumo vem acoplada a incentivos às cadeias do agronegócio locais, que garantiriam renda aos produtores do biocombustível e de seus insumos. Além disso, é difícil convencer os consumidores locais a substituir o combustível a que estão habituados por outro que é importado e que tem pouco produtores no mundo. Atualmente, só o Brasil tem capacidade instalada para atender tanto a seu crescente mercado doméstico quanto ao internacional.

As estimativas para a produção mundial de etanol em 2009 giram em torno 66 bilhões de litros. Deste total, 38,1 bilhões de litros viriam dos Estados Unidos, e cerca de 25 bilhões, no Brasil. Os 3,9 bilhões de litros restantes estariam divididos entre a produção da União Europeia e da Ásia. O consumo global, por sua vez, deve totalizar 66 bilhões de litros. Os Estados Unidos demandariam 39 bilhões de litros – déficit de 0,9 bilhão de litros -, e a União Europeia, com seus 4,4 bilhões de litros precisaria importar 0,8 bilhão. Como a expectativa para o Brasil é de que o consumo fique em 22,5 bilhões de litros, haveria um excedente de 2,5 bilhões de litros a serem exportados – no ano passado, o País vendeu 4,4 bilhão de litros ao exterior.


Amaryllis Romano - sócia da empresa Tendências Consultorias
Fonte: Broadcast, Agência Estado

Cotação do Dólar

Índice Bovespa

Cana-de-Açúcar (R$)
Preço Médio do kg de ATR/SP - Julho R$ 0,3477
Álcool
Álcool Anidro Combustível
16/08 - 20/08/2010 - CEPEA
R$ 0,9652 US$ 0,5497
Álcool Hidratado Combustível
16/08 - 20/08/2010 - CEPEA
R$ 0,8359 US$ 0,4761
Álcool Hidratado Outros Fins
16/08 - 20/08/2010 - CEPEA
R$ 0,861 US$ 0,4904