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Argumentos pró-etanol
Manoel Carlos de Azevedo Ortolan
O seminário realizado nesta semana na Câmara dos Deputados pela Unica apresentou sete estudos que comprovam os benefícios do uso do etanol em diferentes áreas. O encontro faz parte do projeto denominado Agora – Agroenergia e Meio Ambiente, cujos objetivos são fazer chegar à classe política e à opinião pública informações sobre o agronegócio da cana e melhorar o fluxo de informações entre o setor e a sociedade.
Essa iniciativa é muito importante porque ainda há muito desconhecimento sobre o funcionamento da cadeia produtiva e vira e mexe surgem declarações, estudos ou levantamentos que acabam criando ruídos na comunicação e trazendo prejuízos à imagem do setor sucroenergético. No mundo de hoje, em que os países estão interligados e as notícias são transmitidas em tempo real, uma informação errada pode comprometer anos de trabalho e estudos.
E o setor também já se conscientizou de que não adianta apenas ostentar belos números, contribuir para a economia nacional e para a mitigação dos efeitos do aquecimento global. É preciso que essas informações cheguem até as pessoas. Um dos estudos, por exemplo, liderado pelo professor Marcos Fava Neves, mostrou o peso do agronegócio da cana na economia nacional: o setor fatura US$ 28,15 bilhões - cerca de 2% do PIB brasileiro – e a movimentação financeira da cadeia produtiva chega a R$ 86,8 bilhões.
Os fornecedores independentes de cana – estimados em 70 mil em todo o país – geram uma receita superior a US$ 5 bilhões. Em 2008, o setor empregou 1,28 milhão de pessoas com carteira assinada, o equivalente a 2,15% dos postos de trabalho no Brasil. Nessa conta-se incluem empregos gerados no cultivo da cana-de-açúcar, fábricas de açúcar bruto, no refino e moagem de açúcar e na produção de etanol.
Outro estudo que trouxe dados interessantes foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e mostrou que a troca de petróleo por etanol nas metrópoles melhoria sobremaneira a qualidade de vida e reduziria os gastos com internações e atendimentos na rede de saúde. E os dados foram estimados.
Segundo o estudo, se os carros e ônibus movidos a derivados de petróleo passassem a usar apenas etanol na Região Metropolitana de São Paulo, mais de 12 mil internações e 875 mortes decorrentes de doenças provocadas pela poluição gerada pela queima desses combustíveis seriam evitadas em um ano e quase US$ 190 milhões deixariam de serem gastos. Mesmo que a troca fosse feita apenas para a frota de ônibus, o número de internações seria reduzido em 4,5 mil em um ano - o que geraria uma economia de US$ 12 milhões – e seriam evitados 745 óbitos no mesmo período.
Os pesquisadores alertam que os dados, apesar de impressionantes, estão subestimados, já que doenças que não demandam internação hospitalar não foram contabilizadas e apenas dois poluentes – o material particulado fino e o ozônio – foram considerados.
O importante desses estudos é que eles confirmam informações que já são conhecidas, mas que não tinham ainda sido quantificadas. Os números dão maior veracidade aos fatos e são uma forma de convencimento, principalmente se fornecidos por instituições e pesquisadores reconhecidos. Assim, os estudos apresentados no seminário são novos bons argumentos em favor do etanol brasileiro.
Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) |