Cana de Açúcar

COLHEITA DE CANA CRUA MECANIZADA

(PORQUE VOCÊ VAI ADERIR)

 

Francisco César Urenha*

 

O resultado da safra 2008 não foi o esperado: no geral, a região teve quebra em torno de 5% (TCH); o preço atual da tonelada de cana também está defasado em aproximadamente 30% e o custo de produção está nas alturas. Não bastasse tudo isso, nos vemos às voltas com grave crise financeira internacional, que nos pune com crédito restrito.

 

 Eu sei que no atual momento o fornecedor de cana pensa somente no equilíbrio de suas contas, mas terá, queira ou não, de pensar no manejo conservacionista na sua atividade. Esse manejo é proporcionado pela colheita mecânica crua, que está cada vez mais presente no sistema de produção da cana-de-açúcar no Brasil.

 

Por imposição legal, (ambiental e trabalhista) e por fatores econômicos, como redução no custo da colheita, temos que pensar mais seriamente em como dar este importante passo e alguns caminhos a seguir, já para o próximo plantio de cana:

 

1.      Planejamento das áreas com potencial para colheita mecânica crua: a colheita mecanizada de cana crua requer terreno de boa topografia, com declividade de até 10 %.

2.      Linhas compridas e espaçamento de 1.40/1.50 m.

3.      Sulcação não profunda para posterior quebra do lombo, eliminação de pedras e formigueiros.

4.      Devem ser usadas variedades eretas, que tombem pouco e que rebrotem bem sob a camada de palha.

5.      Eliminar barrancos, facilitando o acesso da colhedora e manobra dos transbordos. Esta prática direciona o pisoteio para os caminhos e não para os talhões.

 

Dado o primeiro passo, a preocupação passa a ser maior, pois as máquinas existentes no momento foram desenvolvidas para atender aos grandes produtores e tem custo elevado (em torno de R$ 800 mil) e aí seria necessária atuação em conjunto com a formação de consórcio entre fornecedores ou alguma coisa nesse sentido.

 

Feito isso, que é o passo mais difícil, a preocupação passa a ser com a colheita. Alguns passos a seguir:

 

1.      Temos que ter operadores e equipe bem sincronizados entre a colhedora e os transbordos. A operação é simples: 1 colhedora, 2 tratores de 140 cv, com transbordos de 8 ton. /cada caixa, sendo 2 caixas por trator e um veículo bombeiro. Estes equipamentos lhe conferem capacidade de colheita entre 80 e 100 mil toneladas de cana por safra em 2 turnos de 10 horas. Para esta quantidade de cana serão necessárias 8 pessoas na frente de colheita, 2 das quais para operação do veículo bombeiro, equipamento de prevenção a incêndio essencial na frente de colheita.

2.      Evitar pisoteio das soqueiras.

3.      Não colher em solos úmidos.

4.      Regulagem do corte de base para evitar o arranque das soqueiras.

 

   Superado a etapa da colheita, vem a preocupação com os tratos culturais na palha:

 

1.      O adubo pode ser distribuído sobre a palha, pois há retenção maior de umidade, que favorece a absorção.

2.      Duas pragas são bastante comuns no sistema de colheita de cana crua. Uma de maneira benéfica, a lagarta elasmo, que diminui significativamente seus ataques e prejuízos no sistema de cana crua. A outra é a cigarrinha-da-raíz que na implantação do sistema de colheita de cana crua pode causar problemas, porém, com bom controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae, existe uma sensível redução na utilização de herbicida químico.

 

A conclusão a que chegamos é que a colheita de cana mecânica crua nos traz inúmeros benefícios, como: a presença de maior atividade biológica e microbiana no solo, melhorando a infiltração de água; a palha remanescente da colheita, além de possibilitar a diminuição significativa do consumo de herbicidas, protege a superfície do solo quanto ao processo erosivo, sendo fator decisivo na implantação de sistemas não convencionais e integrados de conservação do solo, possibilitando eliminar os terraços em áreas de canaviais com declividade inferior a 6% em determinadas condições. No entanto, o maior dos benefícios é econômico, com a redução do custo da tonelada colhida, que pode ser 30% mais barato que o corte convencional queimado.

 

*diretor da Copercana, Canaoeste e Cocred

Fonte: www.revistacanavieiros.com.br

Cotação do Dólar

Índice Bovespa

Cana-de-Açúcar (R$)
Preço Médio Acumulado do kg de ATR/CANOESTE - SP R$ 0,2614
Preço Médio do kg de ATR/SP - Novembro R$ 0,3015
Álcool
Álcool Anidro Combustível
29/12 - 02/01/2009 - CEPEA
R$ 0,8786 US$ 0,3720
Álcool Hidratado Combustível
29/12 - 02/01/2009 - CEPEA
R$ 0,7533 US$ 0,3190
Álcool Hidratado Outros Fins
29/12 - 02/01/2009 - CEPEA
R$ 0,7698 US$ 0,326